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ATIVIDADE PRÁTICA LOCORREGIONAL – DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DA VELOCIDADE DA LUZ EM MEIOS DIELÉTRICOS
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Determinação Experimental da Velocidade da Luz em Meios Dielétricos
Disciplina de Relatividade – Escola Superior de Educação – UNINTER
Resumo
Nesta prática experimental, determinamos a velocidade da luz em cabos coaxiais através da medição do tempo de transitividade de sinais elétricos. Apresenta-se o procedimento experimental, análise de incertezas e comparação com o valor padrão no vácuo, c=2,998×108 m/sc = 2,998 \times 10^8 \, \text{m/s}c=2,998×108m/s.
1. Objetivos
O objetivo principal deste experimento é medir a velocidade da luz em um meio dielétrico utilizando cabos coaxiais (modelo RG-58A/U) por meio do método do relógio de luz.
Objetivos específicos:
Medir o tempo de trânsito de pulsos elétricos em cabos coaxiais
Calcular a velocidade de propagação das ondas eletromagnéticas no meio dielétrico
Comparar o valor obtido com o valor teórico esperado
Analisar o comportamento das reflexões em cabos com terminais abertos e fechados
Determinar a permissividade relativa do dielétrico a partir das medições
Estimar a resistência distribuída do cabo coaxial
Verificar a invariância relativística da velocidade da luz aplicada à propagação em meios materiais
2. Contextualização
A velocidade da luz é uma das grandezas fundamentais da física e um conceito central na Teoria da Relatividade Especial.
Em 1675, o astrônomo dinamarquês Olaus Christensen Römer realizou a primeira medição precisa da velocidade da luz, obtendo um valor aproximado de 2,27×108 m/s2,27 \times 10^8 \, \text{m/s}2,27×108m/s. Posteriormente, físicos como Fizeau, Foucault e Michelson aperfeiçoaram as técnicas de medição.
Atualmente, o valor aceito da velocidade da luz no vácuo é:
c=2,99792458×108m/s
Este valor representa um limite universal para a transmissão de informação e energia, conforme estabelecido por Einstein na Teoria da Relatividade Especial.
Velocidade da Luz em Meios Dielétricos
Em meios materiais, como o dielétrico de um cabo coaxial, a velocidade de propagação das ondas eletromagnéticas é menor que a velocidade da luz no vácuo:
v=cnv = \frac{c}{n}v=nc
onde nnn é o índice de refração do meio. Para o cabo coaxial RG-58A/U, que possui dielétrico de polietileno sólido, espera-se uma velocidade de propagação de aproximadamente 0,667c0,667c0,667c.
3. Fundamentos Teóricos
3.1 Método do Relógio de Luz
O método baseia-se na medição do tempo que um pulso elétrico leva para percorrer um comprimento conhecido de cabo coaxial.
A velocidade da onda eletromagnética é:
v=2LΔtv = \frac{2L}{\Delta t}v=Δt2L
onde LLL é o comprimento do cabo e Δt\Delta tΔt é a diferença de tempo entre o pulso original e o refletido.
3.2 Estrutura do Cabo Coaxial (RG-58A/U)
Condutor central de cobre sólido (diâmetro: 0,9 mm)
Isolante dielétrico de polietileno (diâmetro externo: 2,95 mm)
Malha condutora trançada (blindagem)
Revestimento externo de PVC
Impedância característica Z0=50 ΩZ_0 = 50 \, \OmegaZ0=50Ω
Capacitância distribuída: aproximadamente 100 pF/m
3.3 Reflexões em Descontinuidades
Coeficiente de reflexão:
Γ=Zc−Z0Zc+Z0\Gamma = \frac{Z_c – Z_0}{Z_c + Z_0}Γ=Zc+Z0Zc−Z0
Terminal aberto: Zc→∞Z_c \to \inftyZc→∞ → Γ=+1\Gamma = +1Γ=+1 (mesma polaridade)
Terminal curto: Zc=0Z_c = 0Zc=0 → Γ=−1\Gamma = -1Γ=−1 (polaridade invertida)
3.4 Atenuação e Resistência Distribuída
Coeficiente de atenuação:
α=12Lln(VincidenteVrefletido)\alpha = \frac{1}{2L} \ln \left( \frac{V_{\text{incidente}}}{V_{\text{refletido}}} \right)α=2L1ln(VrefletidoVincidente)
Resistência distribuída:
R=2αZ0R = 2\alpha Z_0R=2αZ0
3.5 Relação com a Teoria da Relatividade
Invariância das equações de Maxwell por transformações de Lorentz
Reflexões como manifestações de transformações relativísticas
Constância da velocidade de fase para diferentes frequências
4. Materiais e Especificações Técnicas
Cabo coaxial RG-58A/U com L=100,1 mL = 100,1 \, \text{m}L=100,1m
Gerador de pulsos: 100 MHz, 5 V, 2 ns de subida
Osciloscópio digital: 0,5 ns de resolução, 500 MHz de largura de banda
Terminais abertos e de curto-circuito
Sistema de fixação do cabo
5. Procedimento Experimental
5.1 Preparação
Conectar cabo ao gerador e ao canal CH1 do osciloscópio
Osciloscópio:
Escala vertical: 5 V/div
Base de tempo: 25 ns/div
Trigger: normal, nível 2,5 V
5.2 Medição do Tempo de Trânsito
Ligar o gerador
Deixar terminal aberto
Observar pulso incidente e refletido
Usar cursores para medir Δt\Delta tΔt
Repetir 5 vezes
Repetir com terminal fechado
5.3 Medição das Tensões
Gerador ligado
Terminal aberto
Usar cursores em modo “VOLTAGE”
Medir tensões dos pulsos incidente1, incidente2, refletido1, refletido2
Registrar polaridade
Repetir com terminal fechado
Comparar polaridades
6. Análise de Dados e Incertezas
6.1 Estatística das Medidas Temporais
Média aritmética
Desvio padrão
Erro padrão da média
xˉ=1n∑xi;s=1n−1∑(xi−xˉ)2;σ=sn\bar{x} = \frac{1}{n} \sum x_i \quad ; \quad s = \sqrt{\frac{1}{n-1} \sum (x_i – \bar{x})^2} \quad ; \quad \sigma = \frac{s}{\sqrt{n}}xˉ=n1∑xi;s=n−11∑(xi−xˉ)2;σ=ns
6.2 Propagação de Incertezas
σv=v(σLL)2+(σΔtΔt)2\sigma_v = v \sqrt{ \left( \frac{\sigma_L}{L} \right)^2 + \left( \frac{\sigma_{\Delta t}}{\Delta t} \right)^2 }σv=v(LσL)2+(ΔtσΔt)2 vexp±σvv_{\text{exp}} \pm \sigma_vvexp±σv vexpc=fator de reduc¸a˜o\frac{v_{\text{exp}}}{c} = \text{fator de redução}cvexp=fator de reduc¸a˜o
6.3 Reflexões
Γexp=VrefletidoVincidente\Gamma_{\text{exp}} = \frac{V_{\text{refletido}}}{V_{\text{incidente}}}Γexp=VincidenteVrefletido
Desvio percentual:
Desvio %=∣Γexp−ΓteoΓteo∣×100\text{Desvio \%} = \left| \frac{\Gamma_{\text{exp}} – \Gamma_{\text{teo}}}{\Gamma_{\text{teo}}} \right| \times 100Desvio %=ΓteoΓexp−Γteo×100
6.4 Permissividade Relativa
εr=(cvexp)2\varepsilon_r = \left( \frac{c}{v_{\text{exp}}} \right)^2εr=(vexpc)2 σεr=2⋅c2vexp3⋅σv\sigma_{\varepsilon_r} = 2 \cdot \frac{c^2}{v_{\text{exp}}^3} \cdot \sigma_vσεr=2⋅vexp3c2⋅σv
6.5 Teste t de Student
Hipóteses:
H0:vexp=vteo=0,667cH_0: v_{\text{exp}} = v_{\text{teo}} = 0,667cH0:vexp=vteo=0,667c
H1:vexp≠vteoH_1: v_{\text{exp}} \neq v_{\text{teo}}H1:vexp=vteo
Estatística t:
tcalc=vexp−vteoσvt_{\text{calc}} = \frac{v_{\text{exp}} – v_{\text{teo}}}{\sigma_v}tcalc=σvvexp−vteo
gl=n−1=4\text{gl} = n – 1 = 4gl=n−1=4
tcrıˊtico=2,776t_{\text{crítico}} = 2,776tcrıˊtico=2,776 (nível 95%)
Critério de Decisão:
∣tcalc∣<tcrıˊtico|t_{\text{calc}}| < t_{\text{crítico}}∣tcalc∣<tcrıˊtico: Não rejeita H0H_0H0
∣tcalc∣≥tcrıˊtico|t_{\text{calc}}| \geq t_{\text{crítico}}∣tcalc∣≥tcrıˊtico: Rejeita H0H_0H0
Intervalo de Confiança (95%):
IC=vexp±tcrıˊtico⋅σvnIC = v_{\text{exp}} \pm t_{\text{crítico}} \cdot \frac{\sigma_v}{\sqrt{n}}IC=vexp±tcrıˊtico⋅nσv
Apêndice A – Medições
A.1 Terminal Aberto – Tempo
Figura 2: Medições com terminal aberto
A.2 Terminal Fechado – Tempo
Figura 3: Medições com terminal fechado
A.3 Diferença de Potencial
Figura 4: Terminais abertos
Figura 5: Terminais fechados
Apêndice B – Teste t de Student
B.1 Hipóteses
H0:vexp=vteoH_0: v_{\text{exp}} = v_{\text{teo}}H0:vexp=vteo
H1:vexp≠vteoH_1: v_{\text{exp}} \ne v_{\text{teo}}H1:vexp=vteo
B.2 Cálculos
tcalc=vexp−vteoσvt_{\text{calc}} = \frac{v_{\text{exp}} – v_{\text{teo}}}{\sigma_v}tcalc=σvvexp−vteo
B.3 Intervalo de Confiança
IC=vexp±tcrıˊtico⋅σvnIC = v_{\text{exp}} \pm t_{\text{crítico}} \cdot \frac{\sigma_v}{\sqrt{n}}IC=vexp±tcrıˊtico⋅nσv
B.4 Permissividade Relativa Final
εr=(cvexp)2\varepsilon_r = \left( \frac{c}{v_{\text{exp}}} \right)^2εr=(vexpc)2
Comparar com εrteo=2,25\varepsilon_r^{\text{teo}} = 2,25εrteo=2,25
Referências
[1] J. D. Jackson, Classical Electrodynamics, 3rd ed., New York: Wiley, 1999.
[2] R. P. Feynman, R. B. Leighton, M. Sands, The Feynman Lectures on Physics, vol. II, Addison-Wesley, 1964.
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